Transferência Intratubárica de Zigotos

Introdução

A transferência intratubárica de zigotos é uma das várias técnicas de reprodução assistida utilizadas atualmente. Para melhor entenderes em que consiste esta técnica vamos primeiro tentar perceber o que é e o que está na origem do recurso às diferentes estratégias de reprodução assistida.


Reprodução Medicamente Assistida


A reprodução medicamente assistida (RMA) é um processo segundo o qual são utilizadas diferentes técnicas médicas para auxiliar a reprodução humana.Estas técnicas são normalmente utilizadas em casais inférteis, em casais em que haja portadores do vírus da imunodeficiência humana (VIH positivo) ou do vírus da hepatite B ou C e em casais com elevado risco de transmissão de doenças genéticas.
Entre as diferentes técnicas existentes contam-se:
  • Técnicas principais
    •     Inseminação artificial intrauterina (IUI)
    •      Fecundação in vitro (FIV)
    •      Injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI)
    •      Inseminação artificial
    •      Transferência intratubárica de gâmetas (GIFT)
    •      Transferência intratubárica de zigotos (ZIFT) 

  • Técnicas complementares
    •  Histeroscopia e laparoscopia
    •  Biópsia de embriões ou diagnóstico genético pré-implantatório (PGD)


Infertilidade


O que é ?


A infertilidade é definida como a incapacidade de um casal conceber depois de, pelo menos, um ano de relacionamento sexual regular sem qualquer proteção. Infertilidade não é, contudo, sinónimo de esterilidade (incapacidade definitiva de conceber devido à não produção de gâmetas).

Na verdade, a maioria dos casais que tem dificuldade em engravidar não é estéril, mas apenas infértil ou sub-fértil, isto é, apresenta uma capacidade reduzida de conceber espontaneamente, de forma natural, podendo, contudo, vir a ter filhos através de ajuda médica.

Há dois tipos de infertilidade: a primária e a secundária. A infertilidade primária é a incapacidade fisiológica de uma primeira gravidez. A infertilidade secundária é quando um casal se encontra com dificuldades de conceber uma gravidez, ainda que já tenha conseguido, pelo menos uma vez.




Cerca de 10% a 15% dos casais apresentam problemas de fertilidade cujas causas são múltiplas.



Causas de infertilidade masculina
  • Produção insuficiente ou nula de espermatozóides;
  • Produção de esperma em quantidades muito pequenas;
  • Incapacidade dos espermatozóides de romperem a zona pelúcida;
  • Problemas hormonais ou deficiência nos canais deferentes – impedem a maturação e transporte de esperma;
  •  Danos a nível dos testículos – infeções, inflamações, problemas circulatórios;
  • Cancro testicular;
  • Gametogénese anormal;
  • Stress crónico – deficiências hormonais, afeta a produção normal de esperma;
  • Anomalias congénitas dos testículos;
  • Deficiência na mobilidade dos gâmetas;
  • Anomalias da libertação de espermatozoides;
  • Exposição a tóxicos, como o tabaco, álcool e drogas;
  • Existência de DST;
  • Problemas do sistema imunitário;
  • Hábitos alimentares;
  • Fatores ambientais.




Afeta atualmente, pelo menos, um em cada vinte homens.


Causas de infertilidade feminina
  •  Ausência de produção de oócitos;
  •  Ovulação pouco frequente;
  •  Bloqueio das trompas de falópio;
  •  Problemas ao nível do endométrio (endometriose);
  •  Danificação ou ausência das trompas de falópio.
  •  Obstrução do colo do útero;
  •  Extração dos ovários ou do útero;
  •  Produção de um muco cervical muito espesso que bloqueia a entrada de espermatozóides para o útero;
  • Infeções das vias genitais;
  • Exposição a tóxicos, como o tabaco, álcool e drogas;
  • Existência de DST;
  • Problemas do sistema imunitário;
  • Hábitos alimentares;
  • Fatores ambientais.



Cerca de uma em cinco mulheres procura ajuda profissional por motivos de infertilidade.

Nos últimos anos o número de mulheres que procurou conselhos médicos sobre a infertilidade, aumentou 25%.



Transferência Intratubárica de Zigotos

 
(ZIFT)


 Foi um processo descrito em 1986 por P. Devroey.


Em que casos se aplica?



Trata-se de um processo de reprodução medicamente assistida utilizado em casais em que, no caso da mulher, se verifica um bloqueio nas trompas de falópio, mas ovários e útero funcionais (podendo haver adesões no útero), em casais em que se verifique esterilidade do homem, como baixa contagem de espermatozóides ou espermatozóides incapazes de fecundar o oócito II e em casais em que um dos indivíduos possui algum tipo de doença sexualmente transmissível.



O que é? 

É uma variante da transferência intratubárica de gâmetas (GIFT). Consiste numa técnica que permite que, após recolha e seleção de oócitos e espermatozóides pelas mesmas técnicas da FIV, os gâmetas sejam postos em contacto in vitro, num meio de cultura adequado durante 18 a 24 horas. Após a fecundação, realiza-se uma laparoscopia e transfere-se o(s) zigoto(s) para as trompas de falópio.



Funcionamento:     



  1. Os ovários da mulher são estimulados hormonalmente, favorecendo o desenvolvimento e maturação folicular;
  2. Os folículos com os oócitos II são recolhidos por laparoscopia;
  3. O esperma é recolhido no homem, de modo natural ou cirúrgico, sendo depois selecionados e maturados. Caso o homem tenha baixa contagem de espermatozoides, é possível recolher espermatídios ainda não diferenciados, de modo a diferenciá-los e maturá-los em laboratório. Por seleção, dos espermatozoides mais resistentes, com maior mobilidade, e caso pretendido, com um determinado cariótipo X ou Y, alguns são escolhidos para fecundar um ou mais oócitos II.
  4. Após recolha e seleção de oócitos II e espermatozoides, pelas mesmas técnicas da FIV, os gâmetas são postos em contacto in vitro, em condições apropriadas para a sua fusão, durante 18 a 24 horas.
  5. Dos zigotos obtidos pela FIV, alguns são criopreservados para uso posterior caso necessário, e um deles é implantado.
  6. A implantação ocorre por laparoscopia novamente, diretamente nas trompas de falópio, após qualquer bloqueio existente.
















   O que é a laparoscopia?


O médico faz uma pequena incisão no umbigo e introduz um dispositivo fino chamado laparoscópio, que é um instrumento de fibra óptica que permite realizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos, daí o nome do exame, na forma de um procedimento cirúrgico através da qual pode-se visualizar os órgãos internos dentro do abdómen e pelve, observando se há inchaço e inflamação das trompas e ovários. Através do laparoscópio é possível visualizar a recolha dos gâmetas e a colocação (nos ovidutos) dos zigotos sem introduzir as mãos na cavidade.




Vantagens:
  • O médico consegue confirmar a fecundação dos óvulos pelo espermatozóide, antes de transplantá-los para o interior das trompas de falópio, assegurando a formação de um zigoto e podendo escolher o seu sexo;
  • Possibilita ainda a deslocação natural do embrião até ao útero;
  • Aumenta a taxa de sucesso da nidação;
  • Impede a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.


Desvantagens:
     
  • A colheita e a transplantação dos óvulos implicam o recurso a uma cirurgia bastante complexa e, por conseguinte, dispendiosa;
  • A fecundação dos oócitos fora do organismo da mulher requer trabalho de laboratório, sendo também bastante cara;
  • Complicações relacionadas com as hormonas (endometriose);
  •  A laparoscopia exige anestesia geral, o que pode trazer complicações;
  •  Baixa taxa de êxito;
  •  Malformações congénitas.


     Curiosidades:

  • Esta técnica é uma variante da GIFT. Contudo, na GIFT a fecundação realiza-se fora do corpo da mulher, enquanto, na ZIFT, o encontro dos gâmetas ocorre nas trompas de falópio;
  • Duração do tratamento: 4 a 6 semanas;
  • Taxa de sucesso: 29% de hipótese de engravidar e 28% de hipótese de dar à luz.








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